Eu devia ter uns 16 anos, algumas dúzias de espinha na cara e nenhuma compaixão no coração naquela tarde chuvosa! Parti em direção a São Paulo acompanhado de minha irmã, Glorinha. A viagem, era de mais ou menos uma hora lá de casa. O programa, não me lembro ao certo, devia consistir em não fazer nada de importante, mas arrumar alguma distração! Só sei que saímos na Avenida Paulista e para voltar, fazíamos um estranho caminho de metrô que nos levava até a Rodoviária do Tietê, onde pegávamos um busão de volta pra casa!
O problema é que o busão partia de hora em hora e na minha cabeça apressada, bastava um minuto a mais para que perdêssemos o dito cata-osso e ficássemos amargando por mais uma hora. Quem me conhece sabe o quanto sou inquieto e quanto eu odeio ficar num lugar parado, sem fazer nada! Nem de avião eu gosto porque tenho de ficar esperando sentado durante todo o trajeto! O que dirá esperar um busão!!!
Saímos a passos largos. Minha irmã sempre meio desorientada, nunca sabia qual lado da plataforma deveríamos ir. Lá fui eu, puxando a “fila”, enquanto ela levava uma sacola com uma bota dentro. Na verdade a bota era minha… Mas como eu estava “no comando do caminho”, ela levava o pacote. Coisa de irmão. Chegamos à estação, enquanto o trem se aproximava… Pensei: “Se perdermos esse trem, o outro só passará daqui a um minuto e meio… É tempo suficiente para perdermos o busão”… Acelerei o passo e minha irmã junto… Ela, pequenininha, não acompanhava o ritmo… A sacola batendo nas pernas dela, até que… Cataplupft… Lá estava ela, espatifada no meio metrô… Me lembro bem, das perninhas esticadas, a sacola do lado e todos aqueles paulistas estressados passando ao seu lado. Alguém ajudou? Claro que não…
Bem, essa poderia ser a deixa para um momento de reflexão, de que eu não devia ter corrido tanto. Mas não… Nós não poderíamos perder aquele busão!!! Ajudei minha irmã a se levantar, acelerei o passo e entramos no bendito trem. Lembro de ter ficado meio puto pela perda de tempo! Até hoje vejo a cara de um rapaz moreninho, que provavelmente testemunhou a queda. Ele segurava o riso, ou melhor, a gargalhada. Alguns menos discretos já riam abertamente. Minha irmã, roxa de vergonha, não conseguia parar de rir.
A essa altura vocês devem estar pensando: “Mas e o busão, eles conseguiram pegar o busão?”. Sim, nós conseguimos!!! A bem da verdade é que entramos e ficamos esperando uma meia hora até ele sair. Daria para pegar dez trens mais tarde que não faria a menor diferença! Mas acho que foi válido… Aquela lembrança, na minha irmã aderente ao chão, é algo que nunca mais esquecerei! E ela muito menos… Se a minha consciência dói? Na verdade nem um pouco… Primeiro porque ela é minha irmã… E segundo porque, bem… Foi engraçado pra caramba!!!
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Se esse é um exemplo do seu amor fraternal…tadinha da sua irmã,já garantiu o lugarzinho dela lá no céu rsrs Sacanear irmão mais novo é esporte nacional,né?Também aprontei das minhas,mas é melhor abafar o caso rsrs Abs
Kkkkk acabei imaginando a cena e me acabando de tanto rir, a Gló que me perdoe.
Bju.
Ele é malvado mesmo, além de me fazer cair, ainda coloca a história no blog!!! Até hoje tenho trauma de metrô!! Mentira vai, na verdade eu sempre odiei aquela correria e ainda sou desorientada sobre qual lado da platorma ir rsrsrs…coisa de “bicho do mato” que não se acostuma com a cidade grande!!!
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