- Senhor, senhor… Está se sentindo bem, senhor?
Foi dessa forma que acordei. Ao meu lado a aeromoça estava tomava meu pulso, após eu ter apagado completamente durante um voo entre São Paulo e Uberaba (MG). Não sei o que é pior: desmaiar durante uma viagem ou acordar com o Marcos Ankoski, fotógrafo, com o cabeção a 30 cm de mim e com cara de assustado! Mas enfim, aos poucos retomei a consciência e lancei aquela frase, típica:
- É acho que apaguei.
Uma senhora ao meu lado, achou que bom mesmo era se benzer e começou a rezar.
Enfim, liguei aquele arzinho sem-vergonha, pedi um refrigerante e lá fiquei esperando o tempo passar. A cada cinco minutos, o Marcos perguntava:
- Cara, você tá bem?
Descemos em Uberaba e fomos direto para o hotel. As reservas foram feitas na última hora, mas o lugar até que não era ruim, apesar de alguns probleminhas. A janela do quarto, que ficava no térreo, dava para a rua, o que não seria exatamente algo tão ruim, não fosse o fato de a rodoviária da cidade estar exatamente do outro lado da calçada.
Nem bem havia tirado o sapato dos pés, chega o cidadão que estava na recepção do muquifo, bate à porta e diz:
- Senhor, tivemos um problema com a sua reserva e na verdade este apartamento está locado para outra pessoa e não temos outro. Sinto muito, mas o senhor terá que sair.
Diante do problema, não me restou outra alternativa a não ser responder:
- Claro, então se quiser, chame a polícia porque daqui eu não saio, daqui ninguém me tira e com licença que vou tomar meu banho.
Fechei a porta e ninguém mais me incomodou. Não até o Marcos chegar, de madrugada, após ter ido a um evento. O cara tomou umas e outras, e nem bem eu tinha “garrado” no sono, ouço algo semelhante a um cachorro rosnando. Um ônibus passando? Um avião caindo? Um trem desgovernado?! Não… O Marcos roncando!!! Por isso que eu digo que é realmente muito chato dividir quarto em viagens. Lá pelas três da manhã, após tentativas frustradas de mitigar os decibéis em curso, percebi que o endereço do quarto não só era próximo da rodoviária como grudado com a cozinha. Descobri quando a rapaziada começou a espremer laranjas para fazer, salvo engano, uns 15 litros de suco.
A essa altura, sem nada a perder, já que descansar que é bom eu não conseguiria mesmo, não tive dúvidas: fui para o sofá da recepção. A televisão estava ligada no Cartoon Network. Que beleza! Levei meu travesseiro, um cobertor e por lá fiquei até às 6h30 quando começou o movimento. Três horinhas de sono e quase recuperado, fui para o café da manhã em meio aos pedidos de desculpas do fotógrafo-trovador.
Na saída, o cara da recepção, de novo ele, diz:
- Olha realmente o quarto de vocês está reservado para outra pessoa, vocês TÊM QUE SAIR.
Mandei o cara… Enfim, mandei o cara. Veio a gerente. Não deu certo. Disse para ela se virar com a agência que estava organizando (ou não) a viagem.
Mais tarde recebi um telefonema do pessoal da agência dizendo que iríamos mudar de hotel e para “não me preocupar”. Tá bom… Quando chegamos para buscar as malas, tudo já estava pronto, ou seja, fomos despejados! As camareiras amassaram toda a roupa, socaram dentro da mala de qualquer jeito e minha vontade foi socar a boca de alguém!
Como eu tinha que conferir tudo, não tive dúvidas e levei a mala para o balcão da recepção. Enquanto outros hóspedes faziam o check-in eu tirava cuecas, meias e camisas. Não foi bonito, mas foi legal!!! Como quem não quer nada eu comentava, que coisa estranha essa de você dormir hospedado e acordar despejado… Acho que consegui colocar pânico no pessoal!
No fim das contas fomos parar num outro hotel, de mesmo porte, com uma feira-livre na porta. Entre gritos de “olha a banana” e “abacaxi tá barato” nos instalamos. Não tinha ar condicionado é verdade. Assim como o ventilador parecia uma fábrica de tornados. Mas no fim das contas, o sono veio e bastou acordar às 4h30 da manhã para pegar o voo das 6h10 e retornar para São Paulo. E dessa vez, sem passar mal.
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De volta ao velho estilo,até que enfim… rsrs Já estava com saudade dessas trapalhadas que você conta por aqui.Queria ser uma mosquinha pra ver a cara da gerente,com o balcão cheio de cuecas e meias;sem contar os novos hóspedes pensando na roubada em que estavam entrando…Hilário!Abs
Esse post eu tinha que comentar… hahaha
Só espero que os leitores não fiquem com uma má impressão da minha terrinha Uberaba! Devo lembrar que achar hotel no período da ExpoZebu é quase impossível… e que percalços como estes podem acontecer quando fazemos reservas a apenas 5 dias da feira começar! bjo Bicó
PS: e volte sempre!!
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